sábado

A ASEA do natal

Pois é... Cheguei à conclusão que hoje em dia, qualquer um é ajudante do pai natal. Aliás o Pai Natal achou que haveriam vários aspectos a corrigir nesta época e concluiu que seria melhor juntar-se à autoridade administrativa nacional especializada na fiscalização natalícia. 

E por já estar muito ocupado a embrulhar presentes e a distribuí-los, nomeou toda a gente para  se encarregar deste cargo.  E esta "toda a gente" aceitou este desafio com muito empenho...

Em Novembro já está tudo a pensar comprar presentes, a ir à arrecadação húmida buscar os efeites, montar a árvore, visitar as decorações natalicias da cidade...  Não há ninguém que falhe... Ou pelo menos não deveria haver, pois se há, lá estarão estes afincos agentes da ASEA do Natal a reportar esta situação "vergonhosa".

Será a expressão "vergonhosa" dura demais? Eu senti na pele que sim, quando tive a infeliz ideia de comentar na décima segunda conversa do mês que me vi envolvido sobre as "montagens" das árvores de natal, que ainda não a tinha feito.
Surgiu logo um silêncio frio e repentino numa conversa, que até ali, era de um tom caloroso e amistável. As expressões das caras mudaram numa rápida fração de tempo, tão rápida que ainda nem sequer foi inventado um nome para esta medição de tempo.
Parecia daqueles filmes de terror da SyFi, quando a personagem principal descobre que afinal todos aqueles habitantes simpáticos da vila, para a qual se mudou, andavam de máscaras e, afinal, eram todos terriveis monstros que lhe desejavam um fim doloroso.

E foi logo a seguir a este silêncio afiado que ouvi um timido mas acertivo "que vergonha...". A minha instantânea e irracional reacção foi desculpar-me com "ainda não calhou mas vou fazer". Que reação tão ingénua! De pessoas que carregavam um semblante  tão bondoso e carinhoso da época natalícia transformaram-se logo em frios, criticos e repreensivos agentes da ASEA do Natal, de quem só ouvi: "Mas não gostas do Natal?", "O que se passa contigo, está tudo bem?", "Agora não vale a pena montares, já só falta três semanas..."

"Agora não vale a pena montares, já só falta três semanas..."? Mas há regras? Tenho que ficar a venerar a árvore depois de montada durante duas horas senão morre uma criança? Depois de dia 1 de dezembro, se não tiver efeites natalicios, hipotecam-me a casa? Se não pendurar aquele "donut" de ervas na porta vou ser autuado? De onde vieram tantas regras? Não sei, mas foi igual a ter contraído o vírus ébola. Aquele grupo pôs-me logo em quarentena  e quando me voltarem a dirigir a palavra, penso que nunca mais poderei mencionar a palavra Natal, árvore, presentes e muito menos usar "#" antes destas palavras. Sem dúvida que seria enforcamento em praça pública.

Com isto, chego à conclusão que o espirito de natal é mentir. Mentir com toda a arte que possuo. Mentir como vidas dependessem disso. E escrevo com imenso orgulho que, este ano, já entrei no espirito natalicio quando me perguntaram "Já compraste todos os presentes de natal?"

 


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