Será que as grávidas perdem a noção do tempo e do conceito "mês" automaticamente logo depois de saberem que estão grávidas?
Deixam de reconhecer palavras tis como "janeiro" ou "outubro"?
Não é dificil grávidas, são doze, e todos juntos fazem um ano. Depois volta tudo a se repetir.
Não entendo mesmo qual é a vossa quando se pergunta "De quanto meses estás?" e vocês grávidas respondem (outra vez automaticamente) "Meses não sei mas estou de 34 semanas".
É tudo em semanas para vocês grávidas! "Fui ao médico a primeira vez na 7ª semana", "ele deu o primeiro pontapé na 25ª semana". Para verem como é estranho, vou vos falar da mesma forma sobre o meu carro: "Já tenho o Alpha há 48 semanas, está impecável". Parece-vos bem?
Acredito que só pode haver duas hipóteses para este fenómeno (e por favor, não se desculpem com o facto do médico falar em semanas). Ou alguma instituição de matemática vos alicía com um subsídio para que estimulem a capacidade das pessoas em fazer contas ou simplesmente para gozarem connosco. Creio que a última hipótese será a mais viável e isto porque acredito que para além dos hormonas despertarem quando engravidam, o vosso senso de troça também.
É costume dizer que quando uma mulher engravida fica com uma luz mais brilhante, por estar a atravessar uma fase esplendorosa. Mas eu sei bem de onde vem essa "luz mais brilhante". É da troça que desperta em vós grávidas .
Por acaso pensavam que ia passar por despercebido a vossa falsa inocência de mostrar às que não estão grávidas que vocês estão. Que quando colocam fotos todas as semanas (lá estamos nós com as semanas) nas redes socias não é apenas para demonstrar aos outros o quanto estão felizes mas também com o intuito de dizer "Vês Vanessa, andas tu ainda a exibir fotos de noites loucas e eu já estou grávida. É melhor reflectires o que queres realmente para ti. Hihi." (Este "hihi" serve só para suavizar um pouco. E muito as grávidas gostam deste irónico "hihi")
Mas lembrem-se disto grávidas: a troça é como um boomerang. Tudo o que se atira acaba por voltar, e, na vossa segunda gravidez (a qual já não a publicam semanalmente), terão sempre que responder negativamente ao que a Vanessa vos irá eventualmente perguntar: "Esta semana vamos combinar qualquer coisa?"
sábado
Uma "ode" aos itálicos
Muito bem Itálico, conseguiste. Conseguiste fazer-me admitir que és raro. De certeza que estás bem deliciado com esta declaração. Sim, és raro mas não único. Querias ser o único Itálico num texto longo e todo ele em letra regular, mas não és. Não és o único que tens esta "modesta" conversa ocasionalmente (que mais parece ser por obrigação):
— Gostas de Alt-j? — diz o itálico pomposo.
— Gosto. — atira o regular. — E tu?
— Gostava até me dizeres que gostas. — Conclui o itálico decidido.
Admite Itálico, não és o único. Não és único a usar aqueles ténnis que eram do teu avô, a ler aquela revista que só há à venda no Martim Moniz, a ter óculos quando não tens miopia, a ouvir aquela banda que é horrivel mas que só tu ouves porque mais ninguém ouviu falar.
Experimenta ser regular um dia Itálico. Vais ver que é um descanso. Vai-te saber tão bem não andar num ângulo ligeiramente inclinado só porque os outros andam direitos. Vai ser um conforto não andares vestido com aquelas roupas diferentes mas que te arranham a pele. Vai ser aliviante leres um artigo e não teres comichões por não terem colocado os itálicos correctamente.
Não te escondas itálico. Eu sei que, bem no fundo, és um regular como todos nós mas não admites. Eu sei que quando chegas a casa pões também umas pantufas (apesar de serem retro) como todos nós. Eu sei que de manhã também comes cereais numa taça com desenhos (provavelmente de um artista conceituado mas não deixa de ser uma taça). Eu sei que quando eras miúdo também brincavas com G.I. Joes (apesar de estarem dentro da caixa para não desvalorizarem). Eu sei que quando fazes anos também gostas de te dêem os parabéns mesmo quando respondes desprezadamente "não ligo nada aos anos".
Deve ser um fardo ser como tu Itálico. Um fardo tão grande como foi para mim pôr tudo isto em itálico excepto a palavra "itálico" só para te chatear... Mas eu sei que não te chateias, pois todos os regulares têm o hábito de se chatearem, mas tu não Itálico. Tu não te chateias para não seres igual aos outros. Afinal estava errado, tu és único Itálico...
— Gostas de Alt-j? — diz o itálico pomposo.
— Gosto. — atira o regular. — E tu?
— Gostava até me dizeres que gostas. — Conclui o itálico decidido.
Admite Itálico, não és o único. Não és único a usar aqueles ténnis que eram do teu avô, a ler aquela revista que só há à venda no Martim Moniz, a ter óculos quando não tens miopia, a ouvir aquela banda que é horrivel mas que só tu ouves porque mais ninguém ouviu falar.
Experimenta ser regular um dia Itálico. Vais ver que é um descanso. Vai-te saber tão bem não andar num ângulo ligeiramente inclinado só porque os outros andam direitos. Vai ser um conforto não andares vestido com aquelas roupas diferentes mas que te arranham a pele. Vai ser aliviante leres um artigo e não teres comichões por não terem colocado os itálicos correctamente.
Não te escondas itálico. Eu sei que, bem no fundo, és um regular como todos nós mas não admites. Eu sei que quando chegas a casa pões também umas pantufas (apesar de serem retro) como todos nós. Eu sei que de manhã também comes cereais numa taça com desenhos (provavelmente de um artista conceituado mas não deixa de ser uma taça). Eu sei que quando eras miúdo também brincavas com G.I. Joes (apesar de estarem dentro da caixa para não desvalorizarem). Eu sei que quando fazes anos também gostas de te dêem os parabéns mesmo quando respondes desprezadamente "não ligo nada aos anos".
Deve ser um fardo ser como tu Itálico. Um fardo tão grande como foi para mim pôr tudo isto em itálico excepto a palavra "itálico" só para te chatear... Mas eu sei que não te chateias, pois todos os regulares têm o hábito de se chatearem, mas tu não Itálico. Tu não te chateias para não seres igual aos outros. Afinal estava errado, tu és único Itálico...
A ASEA do natal
Pois é... Cheguei à conclusão que hoje em dia, qualquer um é ajudante do pai natal. Aliás o Pai Natal achou que haveriam vários aspectos a corrigir nesta época e concluiu que seria melhor juntar-se à autoridade administrativa nacional especializada na fiscalização natalícia.
E por já estar muito ocupado a embrulhar presentes e a distribuí-los, nomeou toda a gente para se encarregar deste cargo. E esta "toda a gente" aceitou este desafio com muito empenho...
Em Novembro já está tudo a pensar comprar presentes, a ir à arrecadação húmida buscar os efeites, montar a árvore, visitar as decorações natalicias da cidade... Não há ninguém que falhe... Ou pelo menos não deveria haver, pois se há, lá estarão estes afincos agentes da ASEA do Natal a reportar esta situação "vergonhosa".
Será a expressão "vergonhosa" dura demais? Eu senti na pele que sim, quando tive a infeliz ideia de comentar na décima segunda conversa do mês que me vi envolvido sobre as "montagens" das árvores de natal, que ainda não a tinha feito.
Surgiu logo um silêncio frio e repentino numa conversa, que até ali, era de um tom caloroso e amistável. As expressões das caras mudaram numa rápida fração de tempo, tão rápida que ainda nem sequer foi inventado um nome para esta medição de tempo.
Parecia daqueles filmes de terror da SyFi, quando a personagem principal descobre que afinal todos aqueles habitantes simpáticos da vila, para a qual se mudou, andavam de máscaras e, afinal, eram todos terriveis monstros que lhe desejavam um fim doloroso.
E foi logo a seguir a este silêncio afiado que ouvi um timido mas acertivo "que vergonha...". A minha instantânea e irracional reacção foi desculpar-me com "ainda não calhou mas vou fazer". Que reação tão ingénua! De pessoas que carregavam um semblante tão bondoso e carinhoso da época natalícia transformaram-se logo em frios, criticos e repreensivos agentes da ASEA do Natal, de quem só ouvi: "Mas não gostas do Natal?", "O que se passa contigo, está tudo bem?", "Agora não vale a pena montares, já só falta três semanas..."
"Agora não vale a pena montares, já só falta três semanas..."? Mas há regras? Tenho que ficar a venerar a árvore depois de montada durante duas horas senão morre uma criança? Depois de dia 1 de dezembro, se não tiver efeites natalicios, hipotecam-me a casa? Se não pendurar aquele "donut" de ervas na porta vou ser autuado? De onde vieram tantas regras? Não sei, mas foi igual a ter contraído o vírus ébola. Aquele grupo pôs-me logo em quarentena e quando me voltarem a dirigir a palavra, penso que nunca mais poderei mencionar a palavra Natal, árvore, presentes e muito menos usar "#" antes destas palavras. Sem dúvida que seria enforcamento em praça pública.
Com isto, chego à conclusão que o espirito de natal é mentir. Mentir com toda a arte que possuo. Mentir como vidas dependessem disso. E escrevo com imenso orgulho que, este ano, já entrei no espirito natalicio quando me perguntaram "Já compraste todos os presentes de natal?"
E por já estar muito ocupado a embrulhar presentes e a distribuí-los, nomeou toda a gente para se encarregar deste cargo. E esta "toda a gente" aceitou este desafio com muito empenho...
Em Novembro já está tudo a pensar comprar presentes, a ir à arrecadação húmida buscar os efeites, montar a árvore, visitar as decorações natalicias da cidade... Não há ninguém que falhe... Ou pelo menos não deveria haver, pois se há, lá estarão estes afincos agentes da ASEA do Natal a reportar esta situação "vergonhosa".
Será a expressão "vergonhosa" dura demais? Eu senti na pele que sim, quando tive a infeliz ideia de comentar na décima segunda conversa do mês que me vi envolvido sobre as "montagens" das árvores de natal, que ainda não a tinha feito.
Surgiu logo um silêncio frio e repentino numa conversa, que até ali, era de um tom caloroso e amistável. As expressões das caras mudaram numa rápida fração de tempo, tão rápida que ainda nem sequer foi inventado um nome para esta medição de tempo.
Parecia daqueles filmes de terror da SyFi, quando a personagem principal descobre que afinal todos aqueles habitantes simpáticos da vila, para a qual se mudou, andavam de máscaras e, afinal, eram todos terriveis monstros que lhe desejavam um fim doloroso.
E foi logo a seguir a este silêncio afiado que ouvi um timido mas acertivo "que vergonha...". A minha instantânea e irracional reacção foi desculpar-me com "ainda não calhou mas vou fazer". Que reação tão ingénua! De pessoas que carregavam um semblante tão bondoso e carinhoso da época natalícia transformaram-se logo em frios, criticos e repreensivos agentes da ASEA do Natal, de quem só ouvi: "Mas não gostas do Natal?", "O que se passa contigo, está tudo bem?", "Agora não vale a pena montares, já só falta três semanas..."
"Agora não vale a pena montares, já só falta três semanas..."? Mas há regras? Tenho que ficar a venerar a árvore depois de montada durante duas horas senão morre uma criança? Depois de dia 1 de dezembro, se não tiver efeites natalicios, hipotecam-me a casa? Se não pendurar aquele "donut" de ervas na porta vou ser autuado? De onde vieram tantas regras? Não sei, mas foi igual a ter contraído o vírus ébola. Aquele grupo pôs-me logo em quarentena e quando me voltarem a dirigir a palavra, penso que nunca mais poderei mencionar a palavra Natal, árvore, presentes e muito menos usar "#" antes destas palavras. Sem dúvida que seria enforcamento em praça pública.
Com isto, chego à conclusão que o espirito de natal é mentir. Mentir com toda a arte que possuo. Mentir como vidas dependessem disso. E escrevo com imenso orgulho que, este ano, já entrei no espirito natalicio quando me perguntaram "Já compraste todos os presentes de natal?"
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